Domingo, Novembro 08, 2009

 

Poesia


Sarau do Pôr do Sol - I
Bar Pôr do Sol
Rua Cel Flamínio, 32 - Santos Reis
19 de Novembro de 2009
17:00 horas
Debate: De Lourival Açucena a Volontê: Repensando a poética potiguar
Debatedores: Antoniel Campos, Civone Medeiros, Plínio Sanderson
Mediador: Leonardo Sodré
20:00 horas
Recital: Clip One, de Eduardo Alexandre, por Eduardo Alexandre
"Estavam errados
os que jogando errado
Ganharam:
A História é sorrateira
Tem capoeiraMaculelê......
dos antigos Cucumbis!"

Marcadores:


 

Plínio Sanderson, escritor

.

cada um tem o cão que merece

na caminhada efêmera a cão/vivência sempre esteve entre nós, em existências (intimamentes) irmanadas.

aos quatro anos, semi-árido caatingoso, num caicó arcaico, brotado num (sus)peito de trair a própria carne, sob a tortura da própria terra, havia tarzan (pastor alemão), comia sua galinha e meti a mão... a boca do cachorro abocanha a minha, perfurando a bochecha. o cachorro morreu de raiva. o médico me desenganou. meu pai dispara para a capital. tomei mais de cem injeções e, teimosamente, não preciso dizer que o subscrito escapou. o poeta soteropolitano/ potiguar, alberon, sempre decretou: filho do cachorro ensandecido, numa tradução livre. em verdade, desse eu não me lembro, ficaram as marcas, estampadas no rosto e na coxa esquerda.

kalú, pra ser humana só faltava falar. sei, lugar comum em relatos semelhantes, mas, dou fé. morreu estuprada num dia de natal, por um pastor alemão, uma engatada fatal. isso, lá pelos idos setenta, época do sugismundo, do país que iria pra frente, em pleno e trágico milagre econômico. meu pai enterrou-a no quintal, plantando uma roseira entoada em cantoria ritualística. bebemos e cantamos, mas, kalú, depois de morta, teimava em aparecer enquanto eu tomava banho. kalú foi a primeira e única alma que presenciei, vade...
jumbo, um pastor belga (no sentido canino, não luterano), capa preta brilhosa como tapete persa (poema inci-de-um-tal raio do trupizute, bráulio tavares, tendo em vista a buceta cabeluda da sua amada), teve uma ferida que evoluiu para gangrena. foi sacrificado e enterrado no cabaré da zule, quando meu pai, em nome da insofismável ordem prostibular, exigiu que todos e todas as meninas profissionais presentes chorassem. emocionante, pense num enterro orgasmático.

peter pedro pablo, cão irmão. podlee marrom, não era cachorro de ninguém, morava conosco, habitava a casa. persona invocada, só atendia quando tava a fim, ou, lhe interessava – senhor de si, absoluta altivez. filosofo da chuva, dileto companheiro de empreitadas ensandecidas e inusitadas. quando meus pais iam para dadivosa praia da santa rita, eu o leva para todos os lugares. ele adorava as panquecas da bodeguita de la plaza. lançamos uma chapa anárquica ao ca de ciências so(s)ciais, pelas efervescências: sonrisal, não vote, revolte, arrote! untei o pêlo do peter de mel, a exemplo de sid barret (do pink floyd), e preguei compridos de sonrizal, de sala em sala fazendo fita, enquanto eu recitava as propostas e ao terminar tomava o comprimido que estava em ebulição em copo, e, claro, arrotava estrondoso: a-r-r-o-t-e! e peter, ator atroz, impávido! ao ganhar o 3º festival de poesia da ufrn (86), melhor poesia e melhor performance, quando fui receber o prêmio, no auditório do nac, cheguei de terno completo (o mesmo com que o augusto lula casou), com os pedros, o peter e o pereira (como guarda costa, pois o prêmio foi de 13 mil dinheiros, é mole?), e ao discursar, ofereci o prêmio ao muso, peter pedro pablo – companheiro memorável ou honorável?

casei, descasei, casei. filhotes com 22, 20 e 13 anos, e, num porre louco, adotei o caba maltês prisiaca esculhambado, clayde zé. engatinhando sapens/mente, já terrorista juramentando, precisa apreender alemão para, soturnos, filosofarmos sem fim. agora, o danado, espevitado, cz, está determinado em destruir os meus ready mades expoéticos, roendo os revolveres do “assassinaram e métrica” e detonando os “dados poéticos” - sem parar, endoidado, num transe apocalíptico.

fico imaginando a sorte do amigo dunga. saudade criativa do chulepa, misturador de tintas inspirado, que produzia alucinado para a prosperidade, já que a terrinha cascudiana não está preparada para tal revolução pictórica. um dia, tarde ou noite, dunga (e chulepa) serão imortalizados e supervalorizados, em cotação via bolsas de valores, do au-au à wall-street, de hong kong a jucurutu.

assim, a humanidade canina caminha. enquanto, o clayde zé é radicalmente destrutivo, chulepa era inventivo alucinado. mas, declaro a todos que, irremediavelmente, não troco. pois, a criação é antes de tudo, uma práxis destrutiva!

Marcadores:


Sábado, Novembro 07, 2009

 

Espetáculo


Em cada canto um conto

O primeiro trabalho do Grupo Estação de Teatro nasce do desejo em pesquisar contos populares e valorizar o prazer de contar e ouvir histórias. O espetáculo “Em cada canto um conto”, com a atriz Nara Kelly e o músico Caio Padilha, segue a tradição dos grandes menestréis e contadores, aliando a narração de histórias com a música executada ao vivo. Os contadores brincam com a caricatura de diferentes personagens da narrativa, através da performance corporal e vocal, além de utilizarem bonecos e elementos cênicos para complementar a cena.
No espetáculo, estão presentes as histórias “O pote vazio” e “Os três tesouros”, que valorizam a força da lealdade e da honestidade, além de parlendas e cantigas. A música, criada por Caio Padilha, foi composta originalmente num diálogo direto com a cena. Rogério Ferraz assina a direção, o cenário e a iluminação do espetáculo. Já a concepção do figurino é de João Marcelino.
“Acreditamos que ao contar e escutar histórias aprofundamos a relação e a troca de experiências entre nós e o público, pois embarcamos juntos com os personagens em suas tramas e conflitos para nos arrebatarmos com valores essenciais à natureza humana.” diz Nara Kelly.
O Grupo Estação de Teatro foi criado em 2009 para dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Rogério Ferraz e Nara Kelly.

Serviço: Estréia de Espetáculo Teatral
“Em cada canto um conto”
Dia: 15 de novembro, 17 horas
Onde: Centro Cultural Casa da Ribeira
(Projeto Cena Aberta)
Entrada: R$ 5,00 (preço único)
Informações: 3211-7710 e 8817-1265

Marcadores:


 

Pacto pelas cidades
Henrique Alves apóia movimento dos municípios potiguares em Brasília

Deputado reafirma sua luta pelos municípios e intermedia encontro com ministro das Relações Institucionais

Em reunião com prefeitos do Rio Grande do Norte, que estiveram em Brasília nesta quarta feira, 04, para divulgar o documento intitulado “Pacto pelas Cidades”, com reivindicações para aliviar a crise vivenciada pelos municípios, o líder da bancada do PMDB na Câmara, deputado Henrique Alves foi enfático: “já disse ao Presidente Lula que não retiro uma vírgula do percentual destinado ao conjunto dos estados e municípios”. Essa afirmação refere-se aos percentuais defendidos pelo deputado, como relator sobre o parecer do marco-regulatório da partilha do pré-sal.
Pela proposição defendida por Henrique, deverá haver aumento dos “royalties” de 10% para 15% e do bolo arrecadado 18% será destinado aos estados produtores, 6% para os municípios produtores, 2% para municípios com embarque e desembarque de óleo, 44% para o conjunto de estados e municípios brasileiros e 30% para a união através da marinha, ciência e tecnologia e meio ambiente.
Como solução mais imediata o deputado intermediou junto ao ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a entrega das reivindicações contidas no documento, reforçando seu apoio às proposições dos prefeitos potiguares.

Principais reivindicações do Pacto Pelas Cidades
Entre as medidas cobradas pelos prefeitos potiguares destacam-se: a liberação imediata das emendas, individuais e coletivas, pertencentes à bancada federal do Rio Grande do Norte, o cumprimento da lei 12.058 / 2009 - que trata das compensações financeiras aos municípios -, agilidade na liberação dos recursos de projetos contratados junto à Caixa Econômica Federal (CEF), o apoio à proposta de distribuição dos “royalties” oriundos das operações do pré-sal para todos os estados brasileiros e o cumprimento da Lei 11.738 / 2008, que trata do piso salarial dos professores.
A reunião com o Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, aconteceu nesta quinta-feira, dia 05.

Marcadores:


 

Marcadores:


 
AUSÊNCIA

Quando minha voz
se fizer
ausência, entenda o silêncio
como prova da verdade.

Arrume as palavras deixadas
entre folhas, faça frases
e desordene parágrafos.

Minha voz ausente
estará diante
do esforço. Concentre sua hora
na descoberta dos traços.

Risque as letras e deixe em branco
a parte inferior do silêncio.

(Pedro Du Bois, inédito)

Marcadores:


Sexta-feira, Novembro 06, 2009

 

A catadora de lixo, foto de Simone Sodré


Marcadores:


 
ABSINTO

Amar é tomar o seu mais .
Acreditar em fogo acalentador .
Gole de absinto
Queima tudo por dentro .
E eu não finjo .

Yasmine Lemos
04.11.2009

Marcadores:


 

Marcadores:


 

Paulo Correia

Ratos municipais
.
A revista Istoé, na sua edição de 4 de novembro, tratou sobre um problema que é visto em quase todos os municípios do Brasil: a roubalheira desenfreada de gestores com as verbas públicas destinadas as suas cidades. Dinheiro repassado do Governo Federal para ajudar nas construções de escolas, postos de saúde, pavimentação de ruas, e que na verdade caiam nas mãos de prefeitos e secretários dispostos a gastar com tudo, menos com melhorias para os seus municípios.
A reportagem, assinada pelos jornalistas Yan Boechat e Larissa Domingos, mostrou como foi a fiscalização da Controladoria Geral da União (CGU) em 30 % das cidades brasileiras, algo em torno de 1,6 mil pequenos municípios, com menos de 500 mil habitantes. Um trabalho que mostrou dados alarmantes, mas do conhecimento de todos os brasileiros. Dados que apontam para irregularidades em 95% das cidades visitadas pelos técnicos da CGU. Números que indicam os caminhos perigosos dos corruptos e seus asseclas.
Os desvios de verbas federais são feitos, na maioria dos casos, em licitações fraudadas, em gastos com notas frias e falsas, e no roubo puro e simples dos recursos por parte dos gestores. A certeza da impunidade é muito mais forte que o medo de ir preso.
Na reportagem de Istoé, duas cidades do Rio Grande do Norte tiveram suas contas estudadas pela Controladoria Geral. Foram as pequenas Riachuelo e Santa Cruz, localizadas na região Agreste do estado, e com populações de 5.760 e 31.294 habitantes, respectivamente, segundo o censo de 2000. Nesses municípios, as irregularidades foram por conta da distribuição de casas construídas com recursos federais, e obras de pavimentação e drenagem feitas por empresa fantasma, contratada sem licitação.
Mas parece que nem tudo está perdido. Na terça-feira, dia 3 de novembro, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), em sua sessão da Primeira Câmara de Contas, decidiu pelo ressarcimento ou remanejamento de mais de R$ 600 mil por conta de irregularidades encontradas em nove cidades do RN. Presidida pelo conselheiro Paulo Roberto Chaves Alves e composta pelos conselheiros Renato Costa Dias e Valério Mesquita, foram relatados 28 processos, dos quais nove apresentaram problemas.
No geral, nove ex-prefeitos do estado foram condenados. A maior punição foi para Walter Soares de Paula, de Extremoz, O ex-prefeito foi condenado a restituir R$ 396.717,85. Depois veio o ex-gestor de Marcelino Vieira, Francisco Iramar de Oliveira, condenado a devolver R$ 112.312,64 e multado em R$ 1 mil.
Uma pena que esses casos de roubo aos cofres públicos não são isolados, mas uma constante em nosso país. E uma pena que quase ninguém se importe de verdade com isso tudo.
No final, cairá o lema Ordem e Progresso de nossa bandeira. Mas nesse dia, já estaremos cegos pela poeira e mofo impregnados nesse estandarte dos velhos tempos.

Marcadores:


This page is powered by Blogger. Isn't yours?

family planning
family planning Counter