Quinta-feira, Julho 09, 2009

Adeus por décadas antecipado
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Eduardo Alexandre
Escritor
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Recebi a notícia da morte de Fon por e-mail, através de seu irmão Lola, músico natalense radicado na Itália há mais de duas décadas, período em que ele, Fon, também esteve ausente de Natal.Nos conhecemos no Marista, onde estudou sua mulher Kathy. Enquanto em Natal, logo após o casamento, Fon residiu na Praia dos Artistas, no final do quarteirão, diante da praia, onde fazíamos a Galeria do Povo.
Foi um amigo de muitos e muitos frequentavam a sua casa em busca de música e amizade. Tinha um carisma todo especial, contagiante. Foi um dos líderes de sua geração, cheia de grandes figuras.Depois que ele e Lola partiram, foi como se a música da cidade tivesse ido embora com eles. Ficou um vazio que nunca foi preenchido. O que era um movimento tornou-se um nada, calando definitivamente uma geração que migrou para a profissionalidade em outras áreas de melhores sucessos financeiros, ensejando o fim de uma era que poderia ter sido mas não foi.
Parte Fon, como estão partindo vários de minha geração de Marista e de uma Natal romântica, contaminada pelas grandes transformações que chegaram ao mundo nos anos 60. Uma geração que sonhava e lutava contra uma opressão que fazia doer o nosso cotidiano.
Essa ida definitiva de Fon para todo o sempre é para mim como algo que me parecera antecipado, a cidade sepultando prematuramente os seus artistas, compelidos a busca de outros caminhos que lhes permitissem melhor sobrevivência.
Sobrevivência que deixou ao vazio toda uma produção artística de excepcional qualidade, para dar lugar a uma frustração nunca reclamada pelos que ficaram.
Realidade triste essa da nossa geração que sonhou, mas infelizmente não pode realizar o que tinha em potencial.
Fica um vazio que já não fora preenchido, uma saudade cortante, um adeus por décadas antecipado.
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